Passadas duas semanas que estive em Paris, me sinto talvez não confortável mas um pouco preparada para contar uma coisa muito chata que me aconteceu lá.
Passei três dias maravilhosos naquela cidade. Sozinha, mas cercada de gente de todo o mundo e ouvindo francês por toda parte. O tempo todo: pardon madame, au revoir,(s'il vous plat) - já esqueci até como se escreve isso. Mas para que tanta cortesia, se não há humanidade, se há somente desconfiança, gelo. Gostaria muito que um francês, que lesse em português - coisa rara - lesse esse meu texto.
Não sou racista, entendo bem as diferenças humanas, sei que não sou obrigada a gostar de todos, mas pelo menos tenho que entender as razões que levam os povos a serem como são. Mas sou uma ignorante em história e desconheço os motivos pelos quais os franceses se sentem tão superiores a nós reles mortais.
No último dia em Paris, sexta-feira, 25/08/08, saí antes das 10h para entrar na Catedral de Notre Dame, pois todo dia passava na frente, mas ainda não tinha entrado. O comércio ainda estava abrindo suas portas e eu caminhando pela Rue de Rivoli, vi uma loja aberta. Mono Prix, era seu nome. Entrei.
Estava ouvindo música. Fiquei mais de uma hora entre cosméticos, lingeries, meias etc. Era um mundo de artigos femininos de muita classe. Comprei 113 euros de bobagens. Paguei e quando ia saindo um segurança me abordou. Falava em francês é claro. Madame, vous... levou uma maquilage sem pagar. Foi o que eu entendi. Eu um pouco confusa mostrei minha nota. Eles olharam meu saco, conferiram a nota e me levaram até uma mesinha. O segurança que parecia ser o chefe, veio ao meu encontro com uma maquilage na mão - pó compacto acho eu - dizendo que eu tinha "roubado" uma dessas. Eu neguei, mostrei a nota e eles me pediram para ver minha bolsa. Graças a Deus a loja estava vazia e eu não passei uma vergonha com um público assistindo. Retirei tudo que havia em minha bolsa, mostrei meus bolsos. Quando eles viram que não havia nada, conversaram entre eles. Eu entendi que o chefe afirmava que faltava uma maquiagem e que eu tinha roubado. O outro dizia que não havia nada comigo. Morri de medo de ser incriminada, pois um deles estava com a maquilagem na mão. Tremendo comecei a falar em francês, que eu tinha comprado coisas, que eu havia pago, que eu era uma trabalhadora, brasileira e que aquilo era preconceito. Misturei francês com espanhol é claro. Então, me lembro bem do olhar do segurança que me disse várias vezes: pardón madame, pardón madame. Eu perguntei se podia ir embora, e ele disse: vous voulez aller, madame. Eu saí da loja tremendo, humilhada, decepcionada.
Voltei ao hotel, chorei, chorei, chorei. Guardei minhas coisas e saí em direção a Notre Dame. A fila estava enorme, o sol escaldante. Fui para Saint Chapelle e falei com Deus. Ele me disse que todo rigor europeu é uma farsa para conter o desejo colonialista que já não cabe mais nos nossos tempos. E que eles são uns idiotas, desumanos e presunçosos.
Tenho que voltar a Paris para entrar em Notre Dame.